Manifestantes montaram cerca de 12 tendas para exibição de filmes e shows de graça

Professores, alunos e servidores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que aderiram à greve nacional da educação estão reunidos nesta quinta-feira (16) na Cinelândia, no centro, promovendo aulas públicas e atividades físicas e artísticas em uma manifestação contra o ajuste fiscal.

De acordo com a professora da Escola da Serviço Social e diretora da ADUFRJ (Associação dos Docentes da UFRJ), Cleusa Santos, o objetivo do protesto é informar a população sobre as dificuldades das instituições públicas e divulgar as pautas da greve, que teve a adesão do corpo docente da instituição no mês passado.

Segundo ela, o objetivo é divulgar para sociedade o trabalho que a universidade desenvolve nas mais diversas áreas do conhecimento.

— Teremos representantes da Educação Física, Escola de Dança, Educação Infantil e Gastronomia, além de aulas de história, ciências sociais e comunicação. Queremos que a população conheça os motivos que nos levaram à greve.

A professora informou que o ato também deverá desconstruir a ideia de que trabalhadores em greve ficam em casa “de folga”. Para Cleusa, a paralisação é um direito que está sendo avaliado como vandalismo e preguiça.

— É algo que os trabalhadores conquistaram historicamente e cada vez mais é criminalizado.

Os manifestantes montaram 12 tendas na Cinelândia, com exibição de filmes e show gratuito. Além dos professores, técnicos e alunos da UFRJ também estão parados. O movimento critica o contingenciamento nas universidades públicas e reivindica maior assistência estudantil e investimentos em infraestrutura.

R7 Noticias

 

Graduação deverá ter peso menor na nova etapa do Ciência sem Fronteiras

Anúncio foi feito por representantes da Capes e do CNPq em São Carlos. Agências também estudam cortar verba de apoio e reavaliar contratos.

Agências de fomento, professores e estudantes debateram nesta quinta-feira (16), na apresentação da avaliação do programa Ciência sem Fronteiras (CsF), em São Carlos (SP), mudanças para a segunda etapa da ação, anunciada pela presidente Dilma Rousseff com mais 100 mil bolsas. A graduação, que na primeira fase respondeu por 78.980 bolsas, 78% do total, deverá ter um peso menor e os valores dos convênios serão reavaliados.

Segundo Geraldo Nunes Sobrinho (CNPq) e Adalberto Luís Val (Capes) os objetivos do CsF são formar pessoal altamente qualificado, aumentar a presença de pesquisadores e estudantes em instituições de excelência no exterior, promover a inserção internacional das instituições brasileiras pela abertura de oportunidades para cientistas e estudantes estrangeiros, ampliar o conhecimento inovador de pessoal das indústrias tecnológicas e atrair jovens talentos científicos e investigadores altamente qualificados para atuação no Brasil e o programa trouxe avanços, mas pode melhorar. De acordo com a apresentação, o CsF é ‘bom’ para 53% dos bolsistas e ‘fraco’ para 5%.

Após ouvir queixas de que a seleção é feita pelo nome do curso, Nunes disse que a questão é complexa, mas o programa pode evoluir para temas na segunda fase. Ele também afirmou que a pós-graduação e a atração de jovens talentos deverão receber mais atenção. “A graduação não terá mais a mesma performance”.

Contou ainda que, em alguns casos, as agências pagaram caro pelos convênios e vão reavaliar as parcerias. A intenção é chegar a uma redução de 30% nos valores dos contratos. Outro ponto que pode ser cortado é o incentivo de apoio acadêmico, verba usada pelos estudantes para a compra de material e livros, por exemplo. “Tudo para tirar gordura e ajustar até à questão fiscal”.

Há ainda a intenção do CNPq de não ficar mais com a graduação acadêmica, exceto pelos casos de iniciação científica, e das duas agências de ampliar o trabalho junto ao setor empresarial, buscar maior apoio.

“Estamos esperando a decisão de ministros e da presidente para saber como vai ser a segunda cara do programa”, disse Nunes.

Um dos pontos que, de acordo com os representantes, também deve mudar é a atuação das instituições de ensino. A intenção é que elas tenham mais participação, diminuindo as demandas das duas agências. Outra questão a ser estudada e desenvolvida é a fixação dos pesquisadores. “Precisamos ter uma atenção especial para quando esses meninos voltarem para o Brasil É muito interessante atrair esses pesquisadores de volta”, disse Val.

As duas agências também defenderam o programa como política de Estado. “Se a gente não fizer isso, vamos ter estabilização e estagnação, a internacionalização é vital”, disse Val. “É um programa que vem para ficar, tem uma contribuição imensa, precisa de ajustes e já tem um retorno social extremamente significativo. Precisamos agora socializar isso”.

Pós-graduandos
Presidente da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), Tamara Naiz também pediu a transformação do CsF de programa de governo a política de Estado e deu sugestões para a segunda fase. “A gente considera um importante programa para a internacionalização”, disse, “mas precisa de ajustes para alcançar os objetivos”.

Ela defendeu a ampliação das bolsas para outras áreas do conhecimento, como educação e economia; a criação de um plano de estudos para os estudantes, de forma a melhorar o aproveitamento das disciplinas; a definição de aspectos qualitativos, para que haja uma contrapartida social dos contemplados, como o uso do conhecimento adquirido para a evolução do curso na universidade de origem; e formas de acesso para negros, indígenas e quilombolas.

“Os problemas não desqualificam, não são motivo para descontinuar o programa, ele tem que continuar, mas é imprescindível que ele seja redirecionado para os objetivos”, afirmou, cobrando maior ligação com países do Brics e do Mercosul.

Ela também apresentou a preocupação dos pós-graduandos com o financiamento do CsF. O programa é bancado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mas, para a ANPG, deveria ser custeado pelo Ministério da Educação, que conta com um orçamento maior, evitando o corte de editais para outras modalidades de bolsas.

Mas, diante dessa demanda, Nunes lembrou que as agências não definem as fontes. “O ato mais político que existe é a distribuição de recursos, particularmente quando eles são escassos. Essa disputa é de grupos, por interesse, é uma luta. As agências são meras executoras do programa. Essa disputa se dá no nível dos ministérios, não pensem que as agências definem seus recursos, a gente não fala ‘a gente quer da fonte X, da fonte Y’, isso é uma disputa essencialmente política”.

Globo