Enquanto o aluno caminha para a escola, recebe textos sobre a aula do dia. Softwares identificam, com base nas suas atividades, as necessidades individuais para que, a partir daí, o professor possa escolher exercícios customizados para ele.

Assim será o futuro da educação, segundo gestores do setor ouvidos pela Folha. A mobilidade, a personalização da aprendizagem e o modelo híbrido (presencial e online) –
já praticado nos cursos de educação a distância– devem ser levados aos programas de ensino básico. A escola, ou boa parte dela, vai caber nos dispositivos móveis.

A educação se tornará onipresente. Discussões em ambientes virtuais, por exemplo, serão incorporadas às aulas presenciais, segundo Daniel Ribeiro Silva Mill, professor e gestor de
educação a distância na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).

Essa personalização do aprendizado traz como grande mudança a possibilidade de respeitar o ritmo de cada aluno, segundo Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann, que atua na área da educação. Caberá ao professor de amanhã o papel de curador. “Ele vai escolher os conteúdos, os meios e fazer a conexão disso com o mundo real.”

Mas a incorporação da tecnologia pela escola brasileira apresenta desafios como falhas na infraestrutura e na formação docente, diz Mizne. “O governo precisa aprender a escolher a tecnologia que vai comprar e complementar com formação de professor.”

Uma dessas tecnologias é o big data, análise de dados em larga escala, que entra em cena para auxiliar na customização do ensino. “Já há softwares capazes de analisar os perfis dos alunos para traçar trilhas de estudo” de acordo com cada caso”, diz Mairum Ceoldo Andrade, superintendente de tecnologia do Cieb (Centro de Inovação Para a Educação Brasileira).

Um exemplo é a Knewton, plataforma de ensino adaptativo que já atua no Brasil em parceria com a escola de idiomas Wizard e com a LFG, empresa de cursos preparatórios do grupo Kroton Educacional. Ela indica os pontos que precisam ser melhorados depois de fazer a análise das respostas do aluno às questões propostas de acordo com o nível de ensino.

O professor recebe um relatório, tal qual um prontuário médico, que o ajuda a fornecer o melhor diagnóstico para as dificuldades de aprendizagem.

NA ESCOLA

Algumas escolas já colocam em prática essas tendências. Nas Steve Jobs Schools, com mais de 20 unidades na Holanda e duas na África do Sul, os alunos fazem todas as atividades em tablets. Em vez de aulas há workshops, com temas escolhidos por eles.

Em Cotia (Grande SP), a associação Projeto Âncora mantém uma escola onde o estudante dita o ritmo, escolhendo conteúdo e cronograma. O professor é só auxiliar do processo, um mentor.

“No futuro, a criança vai ter um caminho só dela e investir no campo de conhecimento que escolheu”, diz Rosa Alegria, pesquisadora do Núcleo de Estudos do Futuro da PUCSP.  “A educação será voltada para fazer a pessoa mais feliz”.

Para Mill, da UFScar, o desafio é educar professores e alunos, para que saibam quais ferramentas usar. Nem sempre a tecnologia adequada é a mais nova, diz. “A tecnologia da escrita ainda é mais importante que a digital”, exemplifica.

Segundo Mill, o docente precisa pesquisar a tecnologia, mas não tem tempo nem salário que o incentive a isso.

“O ensino básico tem grande deficit de qualidade, ainda é muito ruim, e os professores são desvalorizados”, concorda Madalena Guasco Peixoto, professora da Faculdade de Educação da PUCSP.

“Mas como, sem dinheiro, fazer políticas eficientes para melhorar o ensino?”

http://arte.folha.uol.com.br/graficos/4MSK4/?w=620&h=455

Publicado en Folha