O interesse começou na escola, mas foi na garagem de casa que a estudante Joana Pasquali, 17 anos, montou o ambiente para desenvolver a pesquisa vencedora do Prêmio Jovem Cientista na categoria Ensino Médio. Utilizando uma tábua de passar roupa como mesa de apoio, Joana passou sete meses fazendo os testes que resultaram no Detectox, um produto que identifica fraudes e contaminações no leite UTH.

Com ajuda da professora orientadora Andréia Michelon Gobbi, da disciplina de Metodologia Científica, e motivada pelas notícias de adulteração de leite no Rio Grande do Sul, Joana iniciou o trabalho pesquisando as irregularidades mais comuns encontradas no produto. A gaúcha contou com a ajuda de sua colega de classe Alexandra Gozzi e as duas chegaram a três substâncias adicionadas irregularmente com mais frequência: o formol, prejudicial à saúde e utilizado para matar as bactérias do leite; o hidróxido de sódio, que mascara a validade; e o amido, usado para conferir mais consistência ao produto, depois de ele ter sido misturado com água. A partir daí, a jovem estudou os reagentes que poderiam revelar essas fraudes. “Para os testes, tive que ir atrás dos produtos químicos, já que a escola não tinha todos. O formol, por exemplo, consegui em uma funerária perto da minha casa”, conta.

A confecção do protótipo do Detectox é simples: uma fita de filtro de café embebido com os reagentes que indicam a presença dos contaminantes e envolto com plástico transparente. “Quando a amostra do leite é colocada na fita, a reação química entre as substâncias gera cores diferentes. O resultado poderá ser interpretado pelo consumidor por meio de um manual comparativo que acompanha o produto”, explica Joana.

Joana acredita que o produto possa trazer mais segurança ao consumidor, uma vez que, de acordo com a Operação Leite Compensado, somente 66,9% do leite produzido é fiscalizado. “O protótipo é projetado para o consumidor final do leite. As pessoas poderão verificar em casa a qualidade do leite. Se você compra um pacote fechado de caixas de leite, só precisa testar uma, porque o lote é o mesmo, o produto é igual em todas as embalagens. Caso o consumidor detecte fraude, é provável que denuncie a empresa e deixe de comprar aquela marca. O Detectox dá poder de defesa ao consumidor”, afirma.

O custo de produção do Detectox também é um ponto a favor do produto. “Feito artesanalmente, o protótipo tem um custo de R$ 4,31, podendo chegar ao consumidor final por cerca de R$ 6,48”, diz. “Acredito que, se o Detectox fosse comercializado, as marcas de leite pensariam duas vezes antes de adulterar o produto, pois o consumidor poderia descobrir com facilidade”, afirma a estudante.

Atualmente, Joana estuda Engenharia de Materiais na Universidade Federal de Caxias do Sul. “Desde o Ensino Fundamental me interesso por Química e Física. Gostava bastante de Matemática também, além de Literatura e Filosofia. Acredito que seja porque eu gosto de entender como as coisas funcionam”, conta.

“Nunca imaginei que pudesse vencer o Prêmio Jovem Cientista. Quando me inscrevi, nem passou pela minha cabeça que eu pudesse ser agraciada com este prêmio. É muito importante que a importância do papel dos pesquisadores na sociedade seja reconhecido”, diz Joana. A estudante acredita que seguirá fazendo pesquisas. “Não sei se já consegui assimilar a dimensão de tudo o que está acontecendo. O prêmio muda muito a nossa vida não só acadêmica e profissional, mas também pessoal. Gosto muito de fazer pesquisa e desenvolver ideias e acredito que esta é a área para a qual vou direcionar minha carreira”, diz.

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