O índice de estudantes negros e pardos com idade entre 18 e 24 anos que estão universidade triplicou na última década. De acordo com a “Síntese de Indicadores Sociais”, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do grupo total de estudantes nesta idade, o percentual de alunos negros e pardos em idade adequada no Ensino Superior passou de 16,7% em 2004 para 45,5% em 2014. No entanto, apesar do crescimento expressivo, a população de alunos negros e pardos nessas condições ainda fica abaixo do índice alcançado por estudantes brancos dez anos antes (47,2%).

— Houve uma expansão da proporção da população de cor preta ou parda na universidade, no entanto, em comparação com a população branca a diferença ainda é significativa. Isso tem a ver com questões históricas no nosso país. As políticas de redução dessas desigualdades estão sendo feitas e estão surtindo efeitos, mas ainda tem muita coisa a ser feita— afirmou André Simões, coordenador de Populações e Indicadores Sociais do IBGE.

De acordo com a pesquisadora Betina Fresneda, políticas de incentivo ao ingresso na universidade desenvolvidas pelo Governo Federal tiveram impacto importante sobre os índices de acesso ao Ensino superior. Além disso, a gradual normalização no fluxo escolar, quando os alunos passam pelas etapas de ensino em idade adequada, também contribuiu para esse cenário:

— Houve a disponibilização de vagas para cotas nas universidades públicas e também aumento de financiamento para bolsas nas universidades privadas. Há ainda uma conjuntura favorável do fluxo escolar, uma regularização desse fluxo, que afeta o indicador, e uma situação favorável do ambiente econômico familiar, que permite que esses jovens sigam estudando.

No quadro geral, o Brasil registrou um aumento importante no percentual de jovens entre 18 e 24 anos que cursam o Ensino Superior, passando de 32,9% em 2004 para 58,5% em 2014. Mas o IBGE destaca que a adequação da idade em relação à etapa de ensino frequentada ainda é desigual e varia de acordo com a região na qual o jovem vive, enquanto a proporção é de 72,2% no Sul em 2014, é de 40,2% na região Norte no mesmo ano. Entre

Outro dado importante revelou que a proporção de alunos pertencente às camadas mais ricas da população cursando a universidade pública caiu em dez anos. Em 2004 o número de alunos pertencentes à elite que cursavam universidades públicas correspondia a 54,4% dos estudantes. No ano passado, esse grupo correspondia a 36,4%.

ACESSO À EDUCAÇÃO INFANTIL AUMENTA

O relatório do IBGE revelou ainda que o ingresso de crianças entre 4 e 5 anos na escola aumentou de 61,5% em 2004 para 82,7% em 2014. Uma das hipóteses para explicar o crescimento seria a obrigatoriedade de matricular todas crianças a partir de 4 anos na escola até 2016, estabelecida por uma emenda constitucional em 2009 e oficializada por uma lei de 2013 que incluiu a exigência na Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

No grupo de crianças de 4 e 5 anos, a parcela que mais ingressou na escola foi a de menor renda. Entre os 20% mais pobres a proporção de crianças de 4 e 5 anos na escola em dez anos passou de 52,2% em 2004 para 77,6% em 2014. Já nos 20% mais ricos a parcela subiu de 85,7% para 94,1% em uma década. Quando comparados os índices de 2014 com 2013, o aumento de ingresso na população mais pobre foi de 2,91%, enquanto na camada mais rica o crescimento foi de 1,07%.

— Atualmente, o brasileiro tem em média 7,8 anos de estudo completos, isso é menos que o ensino fundamental. O Chile atingiu 6,4 anos em média em 1980, e nós só atingimos este patamar cerca de 25 anos depois, em 2004. Ainda não atingimos a universalização do ensino, temos uma dívida educacional histórica, mas a tendência que observamos é que a população fique cada vez mais educada— avaliou a pesquisadora Betina Fresneda.

dm


 

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