Foi assinado na tarde de ontem, no Rio de Janeiro, um convênio entre a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Agência Espacial Federal Russa, que prevê a instalação, na cidade, de um conjunto de antenas que formarão uma base de rastreamento do sistema de satélites russos Glonass. Trata-se de um equipamento de navegação por satélite que vem sendo desenvolvido pela Rússia desde 1976 e hoje já conta com 24 satélites em órbita, responsáveis pelo o fornecimento de dados de posicionamento (GPS).

O convênio foi assinado pelo reitor da UFSM, Paulo Burmann, com representantes da agência russa, por ocasião do primeiro dia da Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa (LAAD Security), que acontece no Rio de Janeiro até o próximo dia 17. Durante a assinatura do convênio, também estiveram presentes o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, e o secretário Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Fábio Branco.

“Trata-se de um convênio que tem a participação do Centro de Ciências Rurais (CCS). Ainda não temos as cifras bem fechadas sobre o investimento que será feito. Isso será definido ao longo do processo. Mas é um importante passo nessa cooperação entre o Brasil e a Rússia”, disse o reitor Burmann. O sistema a ser implementado em Santa Maria fornecerá dados de comunicação para 26 países.

O prefeito Cezar Schirmer também salientou a importância da parceria firmada pela UFSM com a Agência Espacial Russa. “Estamos num cenário de prospecção e para acompanhar a assinatura desse convênio que se soma a outras iniciativas na área de ciência, Tecnologia e Defesa.”, disse Schirmer. O prefeito tem boas lembranças da Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa. Em 2011, ao chegar nas dependências do RioCentro, Schirmer encontrou o estande da KMW, anunciando Santa Maria como cidade de sua nova sede.

PROGRAMA MAIS CARO APÓS A GUERRA FRIA

Com o fim da União Soviética e da Guerra Fria, o projeto Glonass ficou praticamente abandonado, porém durante os últimos anos, sob o governo de Vladimir Putin, a restauração do sistema foi feita com grande prioridade, sendo o Glonass hoje o programa mais caro financiado pela Agência Espacial Federal Russa, chegando a custar cerca de um terço de seu orçamento em 2010.

NANOSSATÉLITE FOI LANÇADO DE BASE RUSSA

No dia 19 de junho de 2014, às 16h11min (horário de Brasilia), a UFSM protagonizou um fato histórico: foi lançado o primeiro nanossatélite brasileiro a entrar em órbita. Da base localizada na cidade de Yasny, na Rússia, o foguete Dnepr levou para o espaço 37 nanossatélites, entre eles o NanoSatC-BR1, desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O NanoSatC-BR1, ou Nanossatélite Científico Brasileiro 1, partiu com missões científicas e tecnológicas.

O dispositivo, que tem o formato de um cubo de 10 centímetros de aresta e no qual estão inseridas placas de circuitos eletrônicos, testa a resistência à radiação desses componentes eletrônicos e coleta dados para pesquisas científicas, principalmente sobre distúrbios na magnetosfera (o campo magnético do planeta). O Reitor Paulo Burmann destacou também, à época, que o sucesso no lançamento do nanossatélite é um argumento a mais para que se crie um polo aeroespacial em Santa Maria.

arazao


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